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Alô genteee!!! Meu nome é Vitor Hugo e este é um blog do programa RODA DE SAMBA que apresento aos sábados na FM Universitária de Uberlândia, 107, 5 MHz. O objetivo é facilitar o envio de recados aos pagodeiros internautas de Uberlândia e de todo o Brasil. Então, te convido a tomar uma cerveja estupidamente gelada e curtir um batuque da melhor qualidade, ainda que virtual. Chega pra cá!!!
CONTO DA SEMANA: O SAMBA DO SALÃO MODELO Uma boa roda de samba não é somente privilégio do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, anunciada e propalada aos quatro cantos como o “berço do samba”. Uberlândia também tem a sua tradição no samba e nos encontros de fundo de quintal. Geralmente na manhã de um domingo ensolarado a rapazeada se encontra para a cantoria e comilança. Requer um bom “terreiro” com uma frondosa árvore e, na falta de músicos, até uma velha vitrola serve de “quebra-galho”. Músicos, passistas e cozinheiras têm muito “trabalho” nestes eventos onde não pode faltar conversa fiada e a sessão “causos” e piadas. Alguns quintais são famosos entre os “pagodeiros” da nossa Uberlândia: do Denivaldo no bairro Saraiva sob as folhas da mangueira, da Dona Divina no Santa Mônica, o terreiro de Dona Fiinha no Patrimônio, a cozinha do Carlinho Perna lá no Jardim Brasília e vários outros locais onde inumeráveis e inesquecíveis encontros acontecem. Agora, inesquecíveis mesmo eram as rodas de Samba que aconteciam nos fundos do Salão Modelo, dos amigos Tião e Totonho, este último de saudosa memória, que ficava na Av. Rio Branco. Nos reuníamos aos sábados e domingos sob a sombra das jaboticabeiras bem lá no fundinho da barbearia, longe dos pentes e tesouras, para nos deleitarmos com o mais puro samba de raíz. No final da manhã o ar se enchia do aroma das iguarias que vinham da cozinha e do timbre alucinante do violão, pandeiro, repique de mão e reco-reco. Relembrávamos Martinho da Vila, Clara Nunes, Benito de Paula, às vezes explorando o inconfundível estilo do meu compadre Ganga, às vezes viajando na harmonia do Joãozinho do Cavaco. Eu, o amigo Kill, Paulinho Boneco, Ismael Marques, o saudoso Capela e tantos outros, ficávamos a provar os maravilhosos tira-gostos da Dona Aparecida saboreando aquela cerveja geladíssima enquanto a música rolava solta. Dizíamos que o porco era preparado de fora pra dentro, pois uma rigorosa ordem gastronômica era seguida ao servi-lo: primeiro a pururuca, depois o torresmo, chouriço, lingüiça, lombo e pernil. Quando a rapazeada, “entalada” de tanta comida começava a partir para a seleção de sambas românticos, a Marlene interrompia o “Acontece” do Cartola avisando que a feijoada estava sendo servida. Meu Deus! Quanto samba, quanta alegria e quanta comida! Lá no Totonho a “roda” só acabava por volta da meia-noite quando era servido um caldo de feijão com o que sobrou do porco. Era o “caldo da ressurreição”. Depois de um dia inteiro de música, conversa jogada fora e muitas gargalhadas voltávamos para casa com a alma lavada e prontos para enfrentar a lida da próxima semana. Como é bom lembrar nosso encontro com o samba no Salão Modelo! Uberlândia é assim: sustenta tradições e segura bandeiras dentro da cultura de raíz que muita gente desconhece. A roda de samba é uma realidade nos nossos quintais com personagens dos mais variados matizes. Ali sim, reina a verdadeira democracia: as diferenças são deixadas de lado e o preconceito é esquecido. No fundo do quintal é carnaval todo fim de semana. Salve a Cultura popular. Vitor Hugo de Oliveira |
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